é como dizia o poeta, ”reconhece a queda e não desanima. levanta sacode a poeira, dá a volta por cima”. é eu ainda to digerindo a história do fim de semana, mas adivinhe, indigestão. mas o que ficou foi a certeza de que estamos sempre começando, a certeza de que devemos sempre continuar, a certeza de que seremos interrompidos antes de terminar.
em círculos.
estou cansada, mas se fechar os olhos não vou conseguir dormir, mais uma vez. exausta. eu não me acho, já procurei em todo canto, em cada fresta, na casa toda. eu não me encontro, já vasculhei aqui dentro. não sei onde posso realmente me encontrar. em mim? em você? no sorriso de uma criança feliz? na felicidade de uma mãe? na minha felicidade? na minha desordem de adolesente? não sei o que sou e nem sei o que eu quero ser. essa sensação de eu-não-presto-pra-nada deu pra me perseguir. a cada passo que dou ela me segue, me atormenta, não me deixa esquecer de que na verdade nada é o que eu sou. eu me perco cada vez mais de mim. eu só queria me achar e ser somente o que sou. mas como ser eu se não sei onde estou? alguma coisa me diz que não estou em lugar nenhum. não me fiz, não construi nada dentro de mim para ser alguma coisa afinal. na verdade cheguei aqui sendo absolutamente nada, então não posso ser o que sou. vou ter de ser o que eu acho que sou, e isso não me basta. mas o que eu vou fazer? não há o que fazer. é assim e pronto. e enquanto isso, enquanto esses pensamentos sem nexo e que ao mesmo tempo fazem muito sentido borbulham na minha cabeça, meu corpo se cansa, minha mente pesa e meu sono não vem.
eu crio ilusões, crio problemas, interpreto da maneira que quero e disso tudo nasce um texto.
é o seguinte…
eu deveria segurar firme em suas mãos, olhar dentro dos seus olhos escuros e então explicar como eu me sinto. mostrar o quão fraca eu sou e como tudo aqui dentro fica confuso com palavras não ditas, com as ditas de qualquer jeito ou com promessas não cumpridas. queria que soubesse que eu não sei ser saudável e gostaria muito que me ensinasse a ser. pra daí você sentir vontade de morrer.
na verdade eu só preciso de um telefonema, ouvir você dizer que tudo está bem. eu não sou suficiente pra deixar para depois, não sou suficiente para tomar decisões corajosas e assim não me desfazer por dentro. talvez esse seja o problema, não sou suficiente pra mim, não sou suficiente pra você.
foto por: maaybetomorrow.blogspot.com.br
era cedo.
era sábado. acordei com um feixe de sol em meus olhos e com o despertador gritando ao lado da cama, joguei a mão em cima do criado mudo e sem abrir os olhos fui passando a mão pelos objetos a procura do celular. soneca. só mais 5 minutinhos. poderia dormir o dia inteiro já que não haveria compromissos, mas não… alarme. sentei na cama e dei de cara comigo no espelho do guarda roupa novo. me estiquei, senti cada músculo acordando, repuxando. eu adoro essa sensação. não sei começar meu dia sem espreguiçar antes de tudo. não dá. não rola. me encarei um pouco, me achei feia uns instantes, resmunguei um bom dia e fui escovar meus dentes. espelho de novo. olhei mais um pouco, agora com menos estranheza, sorri, retribui o sorriso e fiz logo o serviço. escovados. eu gosto do meu banheiro. dei uma olhada em volta. belíssimo. desci as escadas e dei de cara com a minha sala preferida. é eu gosto da minha sala também. olhei o mp3 conectado ao som do outro lado e me lembrei que eu nunca estou sozinha, escolhi o Chico pra tomar o café da manhã comigo e ele foi logo me dizendo ”porque cresceste, curuminha, assim depressa e estabanada” . aaaaaaaa Chico eu é que te pergunto, por que? já que estava sem pressa, arrumei a mesa de café da manhã, daquelas que desejo ter todos os dias, quase de novela. todas aquelas coisas, a maioria sem por que. só pra enfeitar, pra me bajular. fui comendo, mesmo sem muita fome só pra ouvir o Chico cantar. pão, geléia, queijo, bolo, requeijão, torta, leite, suco. insenso. sofá. olhando cada detalhe do meu apartamento decorado à mão, fiquei feliz de não te-lo feito antes dos 20, teria sido um desastre. não que eu tivesse mal gosto na juventude, mas era o gosto de uma adolescente, daqueles que a gente quase sempre se arrepende depois. eu teria me arrependido, vide meu quarto na casa de meus pais. é, tudo na hora certa. quase tudo. eu estava sem pressa jogada no sofá, o cheiro do insenso me fez lembrar de quando eu sonhava em estar onde eu estava e uma alegria tomou conta de mim, dessas que só aparecem de vez em quando pra uma vizitinha rápida. mas ela ficou, sentou ao meu lado e aí eu cantei bem alto com o Chico ‘’se na bagunça do teu coração meu sangue errou de veia e se perdeu”. aaaaaaaaa Chico, mais um de seus tantos versos que eu gostaria muito de ter escrito. eu e a torcida do falmengo, não!, eu e todas as torcidas do mundo na verdade. o céu azulzinho, com túfos de algodão-doce, branquinhos. deliciosos. docinhos. foi ali, eu com o Chico, depois de ter enterrado tantas e tão dolorosas mágoas, depois de ter visto tantas afinidades partirem pra nunca mais, depois de chorar muito e mesmo assim ter sido deixada para trás, depois de muito esperar me deparei com o deslumbramento de ser feliz sozinha e com a felicidade e facilidade de viver assim, só, dentro de mim.
inspiração: http://www.tatibernardi.com.br texto: Catatônica
pra quem via de fora eram apenas dois velhos amigos íntimos andando pelas ruas. sorrindo, cantando histórias e desestórias, contando poemas e declamando músicas. de mãos dadas, fazendo piadas dos outros, fazendo piada dos defeitos dele, dos trejeitos dela. dividndo angústias, misturando intimidades, ela andando com as pernas dele e ele gesticulando com as mãos dela. chamavam aquilo de amor. um amor diferente, deles, só deles. um amor sem um início própriamente dito e sem um fim estabelecido, tudo bem assim, sem pé e nem cabeça. apesar dessse amor, que era intenso, já previam o fim, mais do que óbvio e inevitável, por isso não faziam promessas, não faziam planos. apenas caminhavam aproveitando as horas em que podiam estar juntos. bonitas horas, bonitas palavras, bonitas intenções, bonitas, lindas, mas que não iriam durar. e não duraram. cada um seguiu seu caminho, cada um por uma rua distinta, paralelas, sem nenhuma ligação. no início, logo após a separação sentiram uma certa dificuldade de se adaptarem com as própias pernas, de ouvirem as gírias que aprenderam juntos serem ditas individualmente, de não ter as mãos preenchidas pela outra mão. mas hoje, hoje são dois estranhos, não se reconheceriam se cruzassem pelas ruas e tudo bem. a vida continua. feliz ou infelizmente ela sempre continua.
se você procurar pelo meu nome no dicionário vai encontrar a seguinte definição:
lou. ca; psicol aquela que possui desarranjo e mesmo estando ciente de seu estado, modifica profundamente seu comportamento e torna-se irresponsável; portadora de pscicose relacionada a falta de auto controle e que, devido a isso age de maneira insensata. passado o momento de fúria, lhe vem o arrependimento exacerbado. med que possui um comportamento doentio típico de indívíduos com duplo cromossomo X.
eu não vou bancar a louca. vou desligar meu celular, vou mandar dizer que não estou e vou embora sem aviso prévio, mas não, bancar a louca não. sem gritos, sem chateações, sem ser eu do jeito que mais odeio. nada. porque né? eu sei, isso vai ficar me corroendo de baixo do edredon, a cabeça não vai desligar um minuto sequer em cima do travesseiro, a noite não vai passar. sabe, eu precisava tanto falar com você, ouvir suas histórias, dizer que estou com saudades. entretanto vou engolir cada palavra, cada vírgula misturadas com a vontade de ligar e ligar e ligar até você atender e depois gritar coisas desconexas e desligar na sua cara. não, dessa vez não, vou fazer um silêncio dolorido, dizer que está tudo bem, abrir um sorriso pra nunca mais.
tudo isso é culpa dessa minha mania compulsiva de não deixar pra lá. por que não pegar uma bebida, me jogar no sofá e assistir qualquer coisa até cair no sono? ou então ler alguma coisa necessária (ou não) até sentir as pálpebras gritando por descanço? não, eu tenho que bancar a louca, tenho que vir até o computador e escrever qualquer coisa ridícula para fazer a raiva passar.
apenas mais uma de quase-amor.
por muito tempo procurei minha paz. eu havia cansado daquele turbilhão de sentimentos se misturando aqui dentro. eu não sei lidar com sentimentos, eles pesam demais sobre mim. eles saem do controle e quando vejo estão uma bagunça, uma desordem total. e aí eu não sei mais o que fazer, o mundo parece desabar nas minhas costas, eu fico irritada, minhas noites viram dia, meu humor varia horrores, dentro de uma hora ele já passou por todas as cores e sabores. mudou o vento, o humor varia. meio coisa de louco, sabe? tudo morno, é como eu prefiro. morno, que palavra… morna. feia, ruim, ruim de fazer careta feia. leite morno saca? quer coisa mais estranha que leite morno, ou qualquer outra coisa acompanhada dessa palavra. mas é assim que eu prefiro, sem grandes oscilações de sentimentos. sem muita felicidade, sem muita alegria, sem muita tristeza, sem muito qualquer coisa que me faça sentir vontade de arrancar o coração fora. viver minha vida mornamente é o que eu estava fazendo.
eu estava vivendo a minha vida meio-quente-meio-frio e aí você apareceu. você apareceu quando eu menos precisava e sei lá por que resolvi deixar minha vida meio-termo de lado pra te conhecer. eu sabia que iria gostar de você. eu sei, é cedo ainda. mas você me traz uma paz diferente. não é mais aquela paz morna. mas eu tenho de confessar que estou começando a ouvir, meio de longe ainda aqueles sentimentos vindo em minha direção. eu não sei o que vai ser, e nem se vai ser, mas eles estão por perto, estão me rodeando. esperando a hora certa de aparecer, e sabe? isso me da um baita medo. e tem o outro medo, o medo de não ser você. o medo de mais uma vez ser tudo em vão. o medo de não ouvir mais a sua voz cantar para mim na grama do parque, de não ficar mais toda orgulhosa pelas pessoas em volta te agradecerem pelo show. de não ter a sua tranquilidade ao meu lado. de não andar mais de mãos dadas e ver você arrumando o passo para ficar mais agradável de andar assim. e sabe? o medo é uma das coisas que fazem eu sentir vontade de arrancar o coração fora, mas tudo bem, se eu não perder você eu deixo a minha vida quase quente pra depois.




