não escrevo aqui para provar algo a alguém. não espero que você, leitor, entenda ou espere que tudo o que está aqui seja exatamente o que é na vida real. crio personagens a partir de histórias passadas somadas a sentimentos atuais que falam de pessoas que nunca existiram. escrevo com fragmentos de um baú cheio de histórias. histórias dos outros com sentimentos meus. histórias que eu gostaria que tivessem sido e tantas outras que nunca tivessem existido. é desse emaranhado todo que crio novos caminhos, novas possibilidades. se nem eu sei ao certo o quanto de cada texto é sobre mim, imagine você, querido leitor. isso nós nunca saberemos. e na realidade nem quero descobrir. fujo da cruel realidade escrevendo meus textos, juntando minhas peças, desarrumando sentimentos e criando novos personagens. escrevo porque preciso fujir para um outro mundo. escrevo porque a realidade me desgasta dos pés a cabeça. escrevo porque sofro de devaneios ocasionais. escrevo porque ser eu me consome até as vísceras. escrevo porque preciso abstrair. não escrevo pra você, pra ela, pra ele, pra nós e muito menos pra vocês. escrevo pra mim. escrevo por mim, sem vaidade. escrevo o que vem de dentro. se for para ser otimista dá pra dizer que tudo o que está escrito aqui nesse blog não passa de “literatura” barata. eu não espero me redimir, não espero despertar algum sentimento, não espero escrever livros ou ajudar alguém a se recuperar de sua desilusão. escrevo nem sei bem por que. meu escrever não tem motivos que não sejam os meus. mas de uma coisa eu sei: eu só escrevo sobre coisas que um dia eu senti e isso me faz um bem danado.
Arquivos Mensais: Novembro 2011
é pedir demais?
eu aprendi coisas e mais coisas depois que você me deixou, conheci pessoas incríveis, vivi coisas inesquecíveis, passei por dores intermináveis e momentos dos quais achei que não sairia viva, mas essa saudade que me toma o coração de tempos em tempos é algo com a qual eu não sei conviver. não há refúgio na literatura ou na música ou no copo de uma bebida barata. eu não queria sentir tanta falta. e to eu aqui fazendo drama mais uma vez. eu sei lá. só sei que a cada tropeço, a cada porre, a cada choro descontrolado eu só peço baixinho de olhos bem fechados para esquecer essa vontade de te ter nem que seja uma última vez.
não me lembro ao certo quando começou, mas sei que faz tempo e sei que transborda. é, meu vazio transborda. é tanto e em tudo. não é triste e claro, não é feliz. é neutro. não limpa, não suja, não tem cor e nem cheiro. é vazio. silenciosamente vazio. as vezes posso sentir o medo-de-não-sei-o-que. uma vontade-que-vem-de-não-sei-onde. uma tristeza que-não-sei-porque. mas passa e aí eu volto a sentir o vazio que fica, senta e me olha com uma cara de quem não pretende partir. sei lá. eu não sei o que eu gostaria que preenchesse todo esse imenso vazio. só sei que transborda e faz tempo.



